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[RESENHA] O TERRORISTA DE BERKELEY, CALIFÓRNIA - PEPETELA

21:43:00
Sinopse: E ele gostava de ficar sentado algum tempo, encostado a um tronco, olhando a enorme baía em toda a sua extensão e pensando na vida. Por vezes conversava com um esquilo mais atrevido que vinha lhe pedir comida, entrevistava bandos de codornizes, cada vez mais raras, é preciso que se diga, ou até descobria alguma esquiva corça. E entendia naquela paz, com barulho dos carros e das cidades muito lá ao longe, o contraste profundo de sua terra representado pela visão de abertura e progressista de ponte Golden Gate ao fundo da baía, de onde só uma vez tinham escapado dois ou três presos, tão monstruosamente concebida fora. A Golden Gate e Alcatraz tinham sido realizados pelo mesmo povo, o seu.
A ideia nasceu aí, num desses momentos em que havia algumas nuvens cinzentas e tristonhas, quando de repente o sol irrompeu pelo meio delas, azulou o mar e enverdeceu as colinas. Alcatraz brilhou subitamente no meio do azul e parecia ameaça. Com o sol, a ideia, o raio, o trovão. Sim ia arranjar um correspondente na internet a quem contar os seus pensamentos mais íntimos. Mas tudo fechado a sete chaves de olhos indiscretos e persecutórios.

PEPETELA 115pp DOM QUIXOTE 2007 

Pepetela, uma das figuras representantes da literatura angolana, senão mesmo a maior figura que representa a literatura angola. O grande autor de romances históricos reconhecido com o Prémio Camões 1997, brinda-nos com um livro de linguagem pouco fora da que nos acostumou em seus livros – O uso de nomes nacionais. Um livro simples de interpretá-lo.
O livro O Terrorista de Berkeley, Califórnia narra a história de uma figura solitária, Larry. Que era um jovem dotado de poder activo. Pois com notas altas tinha terminado o mestrado numa das faculdades que não admitem qualquer um estudante. Faltava defender o trabalho final. Nancy, uma de suas professoras mais simpática, a que orientava sua tese, tinha-lhe sugerido fazer imediatamente o doutoramento e que, quanto ao apoio financeiro ela poderia desviar dos fundos da Universidade da Califórnia ou Cal como era conhecida. Larry pouco pensava nisso. Para ele, seria apenas certificado de enfeites e tinha muito para descobrir. Apaixonado pela velha matemática e pela informática, ambas áreas de sua formação, sua única linguagem eram as equações. É muito comum as pessoas que muito bem estudam e têm óptimas notas serem tão solitárias. Pois Larry não passava desse tipo. A sua esbelta namorada estudante de Sociologia da mesma Universidade entendia-lhe pouco porque falavam línguas diferentes. Soraya é mais voltada em problemas sociais e matemática é fora de questão, assim como Larry que pouco se importava com a sociologia. Chegaram a terminar quando Larry a encontrou num envolvimento sexual com a sua colega de quarto. Que estranho não é? Opções sexuais. Para Larry isso não foi problema. O problema foi a traição que para ele é imperdoável.

Larry tinha um amigo morador de Rua, Tom, um afro-americano que passou a chamar-lhe de seu filho branco.
Larry tinha muito para desabafar. A namorada, as ideias de mandar foder o mundo todo criando uma bomba, mas não tinha com quem desabafar. E o Tom?! Há conversas que não têm a ver com os pais.
Decidiu então chamar-se por Tomson. Sem ninguém para desabafar sobre suas ideias criou um correio electrónico seguro para Tomson com quem passou a conversar. Já tinha defendido o seu trabalho final. Os serviços secretos estão sempre atentos na internet quando nas conversas dos internautas aparece as palavras bomba, explosivo, Al Qaeda, Asnobush ou Bin Laden. Larry, decidiu então deixar de enviar emails com tais palavras a partir do computador pessoal e passou a enviá-los pelos computadores da Universidade e não mais para Tomson. Agora para Brad. Era uma dor de cabeça na informática e por consequências ninguém conseguia entrar no seu email. Mais tarde as conversas eram de colocar as bombas em lugares especiais como à ponte Golden Gate. Larry e Brad só não davam conta de que no governo já havia uma equipa em investigações que até preocupou a central. É uma linda novela para quem é apaixonado por personagens esquisitas e solitárias. No entanto só não gostei de como a história terminou. Chegou ao fim com a morte do tão admirado até mesmo pelo decano da Cal. A morte de Larry. Mas ainda assim quero vos sugerir a dar uma boa lida nessa novela e terão mais detalhes ainda.


[RESENHA] AS AVENTURAS DE NGUNGA - PEPETELA

21:35:00

Sinopse: O Ngunga não ia ser livro. Eu estava no Leste e estava a fazer um levantamento das bases do MPLA, pela primeira vez ia-se saber quantas bases havia, quantos homens havia, quantas armas…eu ia de base em base e ao mesmo tempo acompanhava o ensino, dava uma ajuda aos professores com os manuais de matemática que eram da Ex RDA, demasiado modernos, e os professores tinham dificuldades com eles, comecei também a aperceber-me que os miúdos só tinham os livros da escola para ler o português, conclui que era preciso fazer textos de apoio, é aí que começa o Ngunga. Eram textos muito simples que pouco a pouco se iam tornando mais complexos. Como ainda assim não era suficiente os textos eram traduzidos para Mbunda e depois eu tentava dar-lhes regras gramaticais reescrevendo o Mbunda, assim os miúdos podiam aprender a ler na sua língua e recorrer a ela sempre que tivessem dificuldade nalguma palavra em português. Quando acabei cheguei à conclusão que aquilo era uma estória, dei-lhe um fio condutor e mais tarde decidimos publicá-lo. – É assim que o próprio autor nos conta como surgiram, em livro, as Aventuras de Ngunga.


PEPETELA 59pp DOM QUIXOTE 2002


Terminei agora mesmo de ler as aventuras de um guerrilheiro adolescente de treze anos de idade. As Aventuras de Ngunga, de Pepetela.
O autor traz-nos um corajoso personagem e ingénuo. Uma narrativa histórica com um espaço angolano marcado pelas guerras coloniais, pelas ocupações dos portugueses em território angolano.
A história leva-nos no tempo ao lado de Ngunga, um adolescente de treze anos de idade, órfão, que tão cedo perdeu os pais na guerra e sem ninguém para cuidá-lo apareceu a avó Ntumba que lhe deu abrigo e obrigou as filhas a passarem a dar-lhe comida mas estas resmungavam alegando que trabalhavam para elas e maridos mas pela ordem da mãe cediam. Comida entregue de má vontade nunca é bem-vinda ao estômago, não é? Mas o rapaz insistia pela fome havia no quimbo devido a guerra. Ngunga foi acolhido pelo guerrilheiro Nossa Luta quando Ntumba morreu. Nossa Luta cuidava bem do rapaz que quando este feriu-se, obrigou-o a ir ao camarada socorrista porque Nossa Luta tinha de ir ao combate e tornaria impossível levá-lo ao médico.
Ida que levou dia para chegar e até ser socorrido. No mesmo dia naquele kimbo teria uma festa pelo corte do cordão umbilical de um bebé que tinha nascido e o socorrista sugeriu ao Ngunga, como criança que era, não perderia festas. Gostava de passear, observar os pássaros, a natureza, mas nunca sequer tinha visto uma escola, tinha tido um professor a ensiná-lo a ler.

A festa ao final, Ngunga tinha que ir, mas lembrou-se onde ir se haviam apenas duas pessoas que dele gostavam? Nossa Luta e Imba. Nossa Luta estava distante e Imba era uma criança menor que ela e pouco suportava-lhe pelas imitações que nele fazia.
Decidiu sair e ir à procura de Nossa Luta mesmo o Kimbo em guerra, passava dias e sem comida aparecia velhos em ofertas de abrigos para este servir-lhe nas lavras mas só eram maus tratos que para o rapaz todos adultos eram más pessoas. Só as crianças eram boas. Continuou com a sua viagem de vários dias e os povos admirados com um garoto de treze anos que viajava sozinho, alguns davam-lhe comida e continuava a sua viagem. Quando lhe perguntavam aonde ia, respondia que ia ver onde o rio nasce. Se insistiam respondia querer ver o mundo até que chegou à Secção de Guerrilheiros onde estava Nossa Luta mas a notícia lhe foi péssima. Tinha morrido no combate. O garoto chorava porque todos eram maus e só ele era bom. Ficou sozinho até que o comandante apresentou-lhe ao professor União que se tornaram grande companheiros mas a guerra trouxe-lhe o Luto que ia-lhe transformar num herói sem nome.

Um adolescente apaixonado por outra de treze anos mas o amor impossível trouxe-lhe revolta porque Uassamba era casada. Foi vendida pelos pais a um velho que possuía lavras e mais três mulheres.
A revolta de mudar o mundo matou Ngunga que o povo estava a conhecer como herói, pois matara o chefe da PIDE com a sua própria arma. Ngunga matou o nome e quis desaparecer, mas este foi-se com outro nome. Que nem as árvores, os pássaros, as estrelas sabiam. Nem o narrador dessa bela história. Mas sei que saberás se ledes essas Aventuras de Ngunga.

Uma linda literatura infanto-juvenil para todas as idades. Uma obra nacional de referência.

ISOLANDO-ME

18:48:00

Fiz do meu quarto o meu mercúrio, o meu planeta mercúrio
O mundo afora é um júpter, é tão extenso que só oiço o seu murmúrio
Pareço-me tão só no mercúrio, mas de tanto feliz não me julga solitário
Não me julga não, pois, mesmo não fazendo parte de júpter, com ele sou solidário
                                                                               
Se eu saia do meu mercúrio? Talvez estranho
Pois só o único culpado por ter-me solitário e colado no mercúrio com estanho
Vibro-me de tão feliz, eu que sou eu mesmo em verdade
Enquanto o mundo minta-se eu desdenho a sua realidade

Todavia, por vezes choro quanto as bagunças sem pejo
O que o júpter oferece para as crianças? Não sabeis o meu almejo
Não sabeis o quanto desejo nem sabeis o meu medo

Elas tão inocentes e o júpter dando-lhes à mágoa ó credo (...)!

MEU QUERIDO AMIGO

18:46:00

Tu és um amigo, amigo, tu és meu amigo
Há alguma comparação que eu possa fazer?
Se houvesse colocaria-te em perigo
Mas só penso no futuro com prazer

Hei-de ser a mesma quando ires para o outro lado do país?
Tenho tanto medo de perder-te como amigo, tanto mesmo
que nem mais quero viver o amanhã e não é ser chorona como a Araújo, a Taís
É que é mesmo tão confuso esperar o futuro com prazer e noutrora não o querer ao esmo

Ainda com medo do futuro, amigo, quero o presente como o último tempo, pode calhar
Quero vive-lo só contigo e bem pertinho

Por mim não quero mais o futuro porque acabaram-lhe de emporcalhar.


DESABAFO

18:44:00
Eu sou o que vêem que sou, todo meio imperfeito
Eu sou, à verdade e a mais pura medonha verdade  que sentir outrem negaria
Eu sou o sentimento mais íntimo e tão original para o ser desfeito
Eu sou muito mais para mim mesmo, tão egoísta e ela nunca ficaria

Eu que pouco falo e tão logo me calo
Eu calo mesmo muito antes que falo
Eu não me considero um mero psicopata oh mundo!
Eu que não me dou com o mundo bruto, sujo desconhecedor da beleza do quimbundo

Eu nem canto, nem mais clamo porque o mundo julga-me condenado
Eu morri desde que nasci, afinal que importância carrego num mundo sem pejo?
Eu não me reconheço no que tanto afirmam e sobre mim no seu cérebro têm armazenado

Eu não me ouço exteriormente, na verdade, tenho um grito mudo
Eu me escondo da tua cidade em luxo, eu tenho nada ao invés de tudo.


A TRAGÉDIA NA PÁSCOA

13:03:00

O medo já não tinha lugar em mim, o vácuo que se encontrara cá, preencheu-se com a vingança.
Eu ia às pressas. O clima estava tão fresco que se ele ficaria a saber que eu me encontrava  em sua frente, o seu mundo aqueceria em segundos.
Havia tanta enchente nas ruas, famílias em andamento, outros em carros. Era um dia santo que estava prestes a tornar-se macabro.
Duas armas estavam na cintura. O casaco preto ocultava o meu rosto que há anos se mostrava ser gemebundo, mas neste dia estava decidido criar o tumulto que nunca havia acontecido numa época como esta.
Anos antes.

A minha família era dona de um vasto espaço de terreno, que muitos investidores estrangeiros chegavam com propostas assustadoras mas o meu pai não deixava ser convencido porque tinha um projecto futuro para os seus futuros filhos.
Eu tinha cinco anos de idade e era filho único.
Várias vezes um padre chegou a acrescentar os preços para a compra mas os meus pais não deixavam que lhes tirassem as terras.
O padre tinha um projecto em pensamento que na realidade seria fértil naquela terra.
Depois de tantos meses, mas ninguém vinha.
Eu em brincadeiras com os amigos, via os pais correndo para tirar os filhos e levá-los depressa para dentro de casa. Crianças como eu em gritos fortes chorando mas eu parado naquele tumulto querendo perceber do que se estava a passar. Ouvia pisos de cavalos e tiros pelo ar, gritos de pais e mães.

A minha mãe em Azáfama tirou-me e correu para dentro. Trancou a porta. Chegou uns homens batendo a porta desrespeitadamente. O meu pai saiu e encostou a porta.
Nós de dentro Ouvíamos eles nas discussões.
— Nós lutamos para conseguir essas terras, como do nada me insistes que devemos-lhes a ti?! — Alterou-se meu pai.
Depois dessas palavras ouvimos dois tiros.  — Ponham-o no saco. — Disseram.
— Não!— Minha mãe deixou-me dentro e fora p'ra lá.
Abri a porta espreitando, e estavam homens armados juntos do padre. As casas estavam todas derrubadas.
Meu pai no chão abraçado pela minha mãe chorando.
— Tirem ela daí — Disse o padre.
— Não, não — Dizia ela chorando.
Os homens, brutalmente tiraram ela de cima e foram-se junto com ele. Eu sempre espreitando, enquanto a minha no chão chorando lágrimas secas.
Após alguns instantes, caminhões de contentores vinham, todos foram colocados lá incluído nós. Tudo fechado. Não víamos para onde éramos levados.
Depois desta enorme viagem abriram os contentores. Era uma área de muito lodo.
As nossas coisas chegaram mais tarde. Começamos a construir mesmo aí.
Vivemos anos, alguns foram fazendo família e outros foram crescendo. Havia um tempo que esquecemos do que havia se passado. Mas um desses dias me reuni com os outros da minha época. Nos preparamos para vingança.
Assistíamos sempre à tv e o programa cristã era numa igreja no nosso antigo bairro. Aquela igreja era o centro.

O mesmo padre que há anos distruiu-nos, é o mesmo que dirigia o culto da igreja. Foi anunciado a semana  Santa e o dia em que todos os caminhos  dariam àquele local.
Naquele exacto momento o caminho era direito à igreja. Todos nós que no passado éramos inocentes. Agora estavamos a ir vingar-nos do que no passado sofremos por eles.
Apenas sete pessoas foi suficiente para o tumulto na igreja.
O culto era dos maiores. Havia bombeiros, polícias em todo lado para garantirem a segurança dos crentes.
Entramos na igreja e lá no altar estava o padre. Para não nos acharem excêntricos, mostramos o samblante livre de vingança.
— O bairro está bonito. — Disse um de nós.
— Está mesmo. — Concordei.
— Dois na porta. Outros dois, um no meio do banco da lateral direita e outro na esquerda. — Ordenei.
No momento oportuno, outros dois lançaram gás lacrimogénio e logo em seguida criou-se um tumulto. No meio daquela fumaça apareci a um metro de distância do padre.
Pessoas saiam correndo para fora da igreja. Era tanta enchente que alguns eram pisoteados.
O Padre fitou-me nos olhos e eu o mesmo. Fitamo-nos por dois minutos.
— Você! — Após ter-me reconhecido, disse espantado.
— Tu és o garoto...— Continuou. — Oh misercódia!
Tirei a arma e apontei-lhe.
— Não, não! — Instantes de medo, arrependia-se. Foi o mesmo não que a minha mãe gritou à morte do meu pai.
A igreja já estava vazia.
— Saiam todos e se misturem ao povo. — Ordenei aos meus homens e lá se foram. Ouvia o som do automóvel da polícia aconchegando-se. Agora só estavamos nós os dois.
Manipulei a arma e dei ao padre.
Sem entender, segurou-a e apontou-me. Eu estava disprevinido com as mãos no ar.
— É vingança? Morrerás do mesmo jeito que eu matei o seu pai. — Disse.
Logo a polícia entrou armada. Nós no altar, a polícia na entrada da porta, sem mais dar um passo, ordenou um deles:
— Larga a arma! Larga a arma, senhor.
O padre nada entendia. Arma apontada em mim e não querendo ouvir a polícia. Foi tudo muito rápido. Apertou o gatilho e não havia bala. Logo que os policiais notaram que apertou o gatilho, dispararam e fiquei logo me deitei no chão.
Padre caído no chão, todo esburacado. Vingança feita.

EXCEPTO MERETRIZES

12:58:00


No bairro há tantas viciadas em dinheiro e por isso fazem troca do orifício pelo valor monetário.
Meu defeito é sentir náuseas por perto de meretrizes. São nojentas pelo que fazem. Não só por, socialmente, pelo trabalho que fazem, ser caraterizado como  disparates às outras mulheres. Do lado subjectivo, eu sinto nojo.
Após a tarde cair e deixar que se levante a noite, eu estava completamente aflito. Eu queria fazer alguma coisa.
Passei todo dia distante de casa, mas quando chegara, o saldo do cartão da Dstv havia esgotado-se.
Estar só em casa, olhando às paredes é função de prisioneiros e como consequência trás problemas psicológicos.

Decide sair na mesma noite. Noutro lado, após passar a linha ferria, há uma loja da Dstv que se dispede dos clientes às vinte e três horas.
Olhei para o relógio, eram vinte e duas horas.
— Ainda há tempo. — Disse.
Passei a linha ferria. Havia inúmeras lojas naquele lugar, umas abertas outras fechadas.
Ao chegar, pareceu-me estranho.
— Como possível a loja não estar aqui?! — Disse espantado.
Decidi fazer a contagem das lojas.
— A penúltima loja tem que ser da Dstv.
Quando cheguei na penúltima, foi inacreditável no que vi.
— Não. Parece que hoje estou com problemas de visão. — Fiquei estático fitando a loja e continuei — Como possível não haver loja aqui? Onde foi parar? — Manifestei-me no interior.
As portas, as janelas, as tv's, os balcões. Tudo. Não havia mais nada. A não ser as luzes e umas jovens aí.
— O que procuras, moço? — Questionou ma jovem decente de pele escura, tranças sanguita dentro da ex loja.
— Sabes onde fica a loja Dstv?
— Não. Acho melhor perguntares àquele segurança.
— Hã, está bem. — Disse. O segurança se aproximava.
A gente conversava há uma distância de dois metros. Eu fora, ela espreitando pela janela.
— Ele está grandinho, não é? — Disse ela.
— Quem? — Fez um gesto com a cabeça indicando um menino de cinco anos que vinha correndo. — O seu filho. — Acrescentou. Fiquei espantado. Um senhor chegou pegou o menino e foi-se. Ela ficou rindo de mim e disse: — Te assustei não é?
— Sorrindo, lhe disse: Muito mesmo.
Saiu da loja foi até em mim e perguntei-la seu nome. Disse-me e começamos a conversar simpaticamente. O segurança desviou. Depois daí já estavamos a ir em minha casa.
Àquelas horas as farmácias já estavam fechadas.
— Tens aí preservativos? — Perguntei-a.
— Sim, tenho. — Respondeu. Fiquei espantado.
— E por que anda com eles?
— O meu namorado não gosta de comprar preservativos, comprei e me esqueci de deixar em casa.
— O que fazias ali?
— Estava a espera dele. Mas ele não virá mais.
— Pronto. O meu prato está servido. Mesmo sem tv hoje farei novela — Disse dentro de mim e comecei a sorrir.
Depois de passar-mos a linha ferria, faltava apenas mais duas ruas para chegar-mos em casa.
— Sabes o quanto valho, não é? — Questionou ela. O que ela queria dizer com isso?
— Como assim? — Indaguei-lhe.
— São três mil.
— És prostituta?! — Parei de andar.
— Não é ser isso. É o trabalho que eu faço. Vais gostar.
— Já não vamos em minha casa!
— O quê?!
— Achas que eu tenho tempo de penetrar com prostitutas?!
— Não me ofendas. Tá bom fica por dois mil.
— Que nojento! — Disse dentro de mim.
Desviei o caminho e estava a entrar numa rua mais escura. Ela continuava a seguir-me.
— Não siga-me. — Dei-lhe broncas.
— E quem vai pagar o trajeto? Foi você quem me trouxe aqui. — Reivindicou.
Entrei num beco e pus-me a correr. Olhou para o beco e nada viu. Estava tudo escuro. Voltou e fui para a casa.
Que sorte minha!


Se tivesse feito sexo com ela, iria acordar com a boxa ejaculada. Foi bom ter-me despertado do sono e o sonho ter parado por aí.

ESSA ESCRITORA É LOUCA 2

04:01:00



















Hoje bebo e como nas mãos dessa Escritora louca. Sou rico como ela é, apenas mantendo um segredo entre a gente.
Depois de ela levar-me até o seu quarto para terminar-mos o que havíamos começado por me incitar com aquela obra de frases para maior, ela não popou-me nem um bocadinho. Depois da saída da piscina não deixou que o clima ficasse frio.
Mas depois de tudo terminar, ela voltou para a piscina à busca do livro que eu estava a ler, entregou-me e continuei a ler no seu próprio quarto. Minutos depois a campanhia tocava.
— Já volto, lindo. — Disse p'ra mim com um olhar de pedido a abraços de maiores.
Ela é incrível na cama, tal como escreve. Passaram-se minutos mas não regressava. Achei estranho.

Depois de alguns instantes voltou pro quarto, não sei o que fez. Foi em direcção ao seu guarda-fato, ficou por alguns segundos, sem dizer nada para mim, saiu novamente.
Não disse nada para ela. Continuei a ler. Mais minutos se passaram. Queria tomar um banho para sair de lá. A casa dela era enorme, se eu procurasse a casa de banho, com certeza que me perderia. Como apenas havia registrado na minha memória de onde eu vim, voltei pelo mesmo caminho para fora, p'ra puder chamá-la.

Quando consegui chegar na porta da entrada, os meus olhos se esforçavam a procurá-la sem eu andar por aí. Achei que talvez, mesmo ela vivendo sozinha, seria falta de respeito andar por aí de toalha.
Algum ser movente passou pelos meus olhos descuidadamente. Voltei a encaminhar os meu olhos para atrás p'ra puder certificar o que era.
Quando concentrei não acreditei no que vi. Não sabia o que fazer, não sabia o que estava a me sentir.

Voltei pro quarto dela. Sentei-me na cama, passei as duas mãos na cabeça escorregando-as paulatinamente até o rosto.
— ... é capaz de tudo. — Se refletiu dentro de mim.
Levantei e andei até por lugares onde não devia andar, mas felizmente consegui encontrar o banheiro.
Tomei um banho. Me sequei e voltei pro quarto.
— Drogas, a minha roupa está na piscina! — Disse. — E agora?! — Me questionei doque fazer. Mas a solução era ir p'ra lá.
Demorei mais um instante no seu quarto, ainda assim ela não vinha.
Alguma coisa na sua banca chamou-me atenção. Vi uma foto dela, dispida. Me aproximei. Não sei se era azar. Para além da foto, tinha o álbum todo, o portátil mini estava ligado. Fechei a porta para que quando ela viesse tinha que bater.

Peguei o ábum aí mesmo, comecei a ver as suas fotos excitantes. Como era linda demais. Só não entendia porque é que era solteira.
Sem terminar de ver as fotos no álbum, tirei o PC e levei-o até a cama. Sentado fui até à pasta imagens.
— Quê que é isso!? — Era outra coisa no computador min. Fotos tiradas por ela mesma toda nua. Fotos autografando seus livros e tantas outras. Enquanto movia o mouse para outras fotos, sem querer fui para os videos. Tentei sair da pasta, mas quando vi o rosto dela deitada na cama, como a imagem principal do vídeo, esqueci as fotos.
Eram muitos videos. Abri o video que me dei de vistas. Não estava acreditando. Era mesmo uma escritora louca. Estava se masturbando. Fechei logo o video. Abri um outro. Aí estava com um homem. Os videos estavam em partes parecendo que no seu quarto tinham quatro câmeras filmando.

Algo me veio na mente, quando olhei para os cantos do quarto, com susto deixei o seu PC cair. No seu quarto tinha quatro câmeras instaladas, todas apontando para a cama. Quer dizer que os homens com que ela se deitava, não sabiam que estavam a ser filmados.
Apanhei o PC, graças a Deus ainda estava ligado. Procurei em todos os videos e como já esperava também tinha o meu. Eliminei confirmando se havia ido na lixeira. Mas não foi.
Aí comecei a perceber do porquê do tamanho de sua casa, e o porquê que era solteira. Lá tinha videos de pessoas famosas, até de membros do governo, tudo estava lá. Com isso era muito fácil ela fazer chantagem a quem puder. E com certeza que fazia pelas coisas que ela tinha.

Pus na Área de trabalho e coloquei o PC aonde estava.
Saí do quarto para buscar a minha roupa e fugir daí. Não tinha a certeza, mas achei que ela já havia terminado de fazer o que estava a fazer aí fora. Pelo tempo, não acreditaria que o jovem com quem estava a fazer sexo tem o potencial de fazer por horas.
Estava certo. Eles já não estavam lá. Cheguei, vesti rapidamente. Olhei para a minha camisola sem botões, porque ela havia arrebentado... No chão tinha computador, uma muchila e a roupa do outro jovem. Tirei a camisola dele, me vesti. Quase a fugir, pensei rapidamente em algo que também podia me fazer mudar de vida. Revistei a muchila do jovem, encontrei um PC, disco duro externo, cabos Usb e pendrives.

Tirei apenas o disco duro e fui em passos azáfama, no quarto dela. Enviei pro disco duro tudo que era essencial, desde as suas fotos (todas), até os videos (todos). Retirei o disco duro e saí. Bem logo na porta, lá estavam eles dois prontos para entrar. Ela já havia desconfiado de mim. Eu estava a suar, tremendo com o disco duro na mão.
— Espera aí, essa camisola é minha!
Hey, você roubou o meu disco duro. — Disse o jovem enquanto a Escritora estava pasma.
— Cale a boca! — Me aproveitei daquele momento porque ela estava fraca.
— O que você fez? — Ela perguntou-me.
— Segredo é entre duas pessoas, agora mande esse babaca ir embora. — Ela dançou a minha música. Pediu que o jovem fosse embora.
— Oquê? Como fica as minhas coisas?
— Volte amanhã e ela dará-te tudo. Já agora tem uma bela camisola por aí. — Com medo do clima o jovem não hesitou. Foi.
— E agora? — Perguntou ela.
— Cúmplice na colaboração.
— Seja direito. O que tu queres?
— A metade de tudo ganhas.
— Estás a brincar?!
— Se é que tu não queres apodrecer na cadeia, ou morrer nas mãos dos políticos que dormistes com eles.
— Ok. Ok! — Colaborou.

Tudo ficou entre a gente. Guardei o disco pra mim e fiz mais outras cópias. Falei com o meu advogado para manter tudo em segurança, caso ela me matasse, ele poderia revelar. O meu advogado é o meu irmão, ele não é egoísta e por isso não se importou com isso.
Hoje vivo como ela vive, também sou um louco. Rico por ter visão.

Isso é que é vida. Comer e beber sem muito esforço.

ESSA ESCRITORA É LOUCA 1

04:00:00



















Não era a primeira vez que a gente se encontrava em sua casa. Umas duas, três... acho que era a quinta vez.
A gente se dava como se fossemos conhecidos de longa data. Talvez porque conversávamos muito pelo facebook.
Uma gata solteirona.

Neste dia eu estava em sua casa, a ler um livro seu, recentemente publicado. Ela já estava de férias no trabalho e tivera trancado a Faculdade.
Enquanto eu lia o seu livro, um romance de 110 páginas, vinha com mais um outro. Ela sabia que eu havia começado a ler em poucos minutos. Portanto estava longe de terminar.
Enquanto eu estava sentado bem no seu lugar de lazer, na piscina, com um copo de café tão delicioso, não tanto quanto as delícias de suas letras. Lia um romance que retratava a vida de uma velha vadia que ao invés de estar com os seus netos contando-lhes umas histórias como é comum pelas avós, ela procurava jovens para a sua satisfação sexual. Dava para todos quando quisesse dar. Que velha!
Chegou até em mim e disse:
— Como está indo esse prato?
— Bom demais. Sabe, cada obra sua que leio, me faz ser mais fanático de suas letras, mais admirador de ti.
— Óptimo! Que tal subistituir por um outro?
— Como assim? Não terminei ainda.
— Terminas pela semana. — Sorriu. Recebi a obra, apenas ainda em folhas A4. O título era “Frases para Maiores". Algo me bateu.
Tentei questioná-la mas já não estava lá.
Folhei até à página da primeira frase.
— Oh! que sacanagem! — Pensei parar. Mas aquele pequeno tempo que disponibilizei os meus olhos e a minha mente a lerem aquela frase, já havia me deixado anormal. Continuei.
De cada vez que eu lia aquelas frases, só me via na mente: Essa é a escritora do diabo. Não quis deixa-lo. Depois de ler tantas frases, já estava totalmente molhado.
— Foda-se oque farei? Molhei a calça. — Disse.
Senti a sombra de alguém. Quando me dispistei do livro de frases para maiores, olhei para o outro lado, lá vinha ela toda sexy e dispida.
Chegou em mim. Recebeu-me a sua obra, puxou-me para me levantar, rebentou os botões da minha camisola, tirei a calça... e nos mandamos para a piscina...
— O que você está fazendo? — Perguntei-a.
— O que você está fazendo! — Respondeu.
— Eu não estou a fazer nada!
— Cala a boca e põe.

Enquanto eu fazia aí mesmo na piscina em sua casa, notei que a história da velha vadia, era quase identica a sua realidade. Ou melhor, ela escreveu a sua própria profecia.
Com certeza que aquela obra de folhas A4, servia para excitar todos os homens que lá iam (já que ela era solteira).
Saímos da piscina, me leveu pro seu quarto acariciando... para não morrer.

Continue...

QUANDO OS PÁSSAROS MORREM

03:58:00



















Sufocados e sem poder voar. Aprisionados nas mãos gigantescos de um malvado infeliz que procura a felicidade nas coisas que não tem. Eles clamam por ajuda. Imploram para que tenha alguém de boa fé ouvindo as suas vozes — que reaja.
Os cantos começavam a perder as belas vozes agudas que acordavam os que não têm o despertador, aliás, eles eram os seus despertadores sem valor.

A natureza intristesida e cabisbaixa, tão caótica que pedia explicações com lágrimas secas do porquê que dos pássaros já não se ouviam aqueles adoráveis e pequenotas vozes brilhantes que pairavam todos os santos dias no ar refrescante que pela mesma causa adoeceu.

Que lindos pássaros perdedores! Que lindas vozes mortas!
A mão gigantesca libertou os pássaros, mas já sem fôlego para
cantar, sem vozes para pairar, e com o corpo sem vida. Mas que maldade!

Chora de tristeza, choram as árvores. O céu entra em luto nublando as núvens, e chorando com fortes chuvas grintando com fortes trovoadas. Quando os pássaros morrem, a natureza se instala num clima de tensão e não mais produz felicidade porque tiraram dela as vozes belas que pairavam e deixavam o sol alegre e brilhante.

ASSIM COMO UM PÁSSARO, DEIXA-ME PAIRAR NO AR

03:56:00



















Nascemos livres, tristes e alegres. Há quem nem chora quando nasce, há que sorri quando nasce e depois de meses ri. Não sou mulher é óbvio, não me lembro como nasci, mas disseram-me se chorei ou sorri. Nunca nasceremos chorando até o fim, sempre choramos, quiça pelo susto quando sentimos o calor daquela naqual estávamos dentro dela e de tanta gente estranha, e não só, também do mundo que pela primeira vez nos deparamos. Nascemos livres, tristes e alegres.

Com o passar do tempo toda aquela graça vai se perdendo, toda liberdade que a gente tivera no dia em que nascemos é aprisionada por aqueles que a gente viu em nossa volta quando demos o primeiro choro, o primeiro grito, o primeiro sorriso...
São eles mesmos que aprisionam todo o nosso sorriso, toda a nossa liberdade.
Contudo, porfavor, eu vos peço:

Deixem-me sorrir do tipo quando vim para este mundo, deixem-me chorar menos porque quando nasci, sorri mais do que isso. Me dêm a minha liberdade. Assim como os pássaros que pairam no ar, deixem-me livre para que eu possa voar e respirar.


UM LOUCO PARTINDO PRO OUTRO LADO

03:50:00




















Um louco exótico para os loucos que alegam não serem louco. Mas quem chama de louco a um, é porque também é.
Eu vou para o outro lado. Caminho em passos lentos. Vejo crianças gemendo de fome, famintas, vejo amores nos desamores, vejo gostos nos desgostos. Mas o meu caminho é sempre em frente.

Eu com o meu capuchinho preto, mãos nos bolsos do mesmo, vou para lá, noutro lado. Traições por capital, mortes por capital. Ah, não, esqueci-me. Neste lado é onde residem carnes falantes com ossos que fazem-no mover, um motor carnal no lado esquerdo, cabeças grandes mas sem crânio, e são todos adoradores de dinheiro.

Convivi por mais de Trinta anos, contudo não aprendi o que é auto-estima e o amor ao próximo. Apenas aprendi o que é se desrespeitar para ter e que o dinheiro fala mais alto.
Estou indo bem longe daqui, não mais voltarei não. Estou indo pro outro lado com a minha loucura bem instalado por não aceitar viver do jeito que eles vivem.
Jamais entenderão um Eremita.


Eu não pertenço ao mundo.

DEIXE QUE O MUNDO TE JULGUE, TE CONDENE, TE MATE, MAS...

03:48:00



















Em função dos teus trabalhos realizados, sei que não darás prazer a todos de um modo agradável. Por isso, em contra, serás apedrejado, julgado, condenado e muito mais ainda. Sem fé no que estás a fazer, é como um cônjuge caído na controvérsia, sem pejo em seus rostos, na desconfiança. É perca de tempo continuar casado sem haver confiança em ambos os lados. Com isso, primo em dizer que, é perca de tempo continuares a lutar por algo que não acreditas e que um dia pode germinar consequências graves.

Com fé, ainda que germinar graves consequências, a dor do apedrejamento, do condenamento, do julgamento e demais actos do género, não será a mesma: pela razão de os fazeres conscientemente. E mais, sem fé, pode ser o quão for dedicado o seu esforço para a realização de um trabalho, o mesmo será nulo — morto. Fazer sem fé, é abortar um filho sem antes tê-lo em ventre. Melhor dizendo, plantar em mente de nunca puder tê-lo — matar a esperança.

Se é realizar o seu trabalho consciente do que se faz e do que virá como consequência para o mundo te julgar e matar, sê forte, as dores ao vivo e bem perto da morte mexe com o raciocínio de qualquer indivíduo. Mas mesmo assim, nunca se venda. Desistir também trará um grandioso pesado na consciência porque o fizeste na fé.

Há um monte de coisas no mundo que na sua maioria, a gente vê como algo normal. Cuidado! Neste mundo nem tudo é normal. Talvez por estar-mos em longa distância com o livro que nos ensina de modo eficaz, a viver neste mundo. Quando estares, não CemPorcento ligado a ele, porém, alguns porcentos, seberás que vives num mundo totalmente anormal, e que por trás desta anormalia há alguém que os encaminha numa estrada coberto de nuvoeiro — Trevas.


Por isso, deixe que eles te apedrejem, te julguem, te condenem, te matem, mas nunca se venda.

 
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